Obrigado por calar a minha boca, Roger!

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Quando Roger Federer ergueu a taça de Wimbledon ano passado, coroando um semestre impecável em que faturou o Australian Open e atropelou os adversários para conquistar os títulos de Masters de Indian Wells e Miami, eu tive uma certeza: era chegada a hora do Gênio “pendurar a raquete” e deitar nos louros de sua carreira triunfal.

Afinal, pensei, existiria oportunidade melhor do que aquela? Não, jamais! Ele estava na grama sagrada de Wimbledon, templo do tênis onde havia brilhado mais que qualquer outro. E estava no auge, aos 35 anos, com o mundo aos seus pés a reverencia-lo. Eu – quem sou eu? – acreditava que sabia melhor que Roger quando era hora DELE parar.

Mas felizmente ele não parou. Algumas semanas após faturar Wimbledon (seu 19o Grand Slam e o 2o naquela temporada) ele foi a Montreal e perdeu a final para Alexander Zverev, o jovem prodígio alemão. E na sequência encarou o US Open, caindo nas 4as de final para o sempre perigoso Juan Martin del Potro.

Eu enchi o peito: “viram só! Eu disse que ele deveria ter parado no auge, se aposentado após Wimbledon. Agora vamos assistir tristemente a um Roger perdendo jogos bobos, deixando escapar torneios fáceis, ou então abandonando campeonatos por problemas físicos, sobretudo nas costas. Eu ESTAVA CERTO! Ele vai passar tempos melancólicos e.... abandonar a carreira.”

Pois eis que um mês depois Roger retorna as quadras e ganha o Masters de Shanghai e o torneio de Basel de forma brilhante, deixando para trás nas finais ninguém menos que Rafael Nadal, No 1 do mundo, e Del Potro, respectivamente. Dois títulos em sequência! E merecidamente começa a fazer o Nostradamus aqui engolir suas palavras e seu prognóstico errado.

Chega então a temporada de 2018 e aí.... todos sabem o que acontece: Roger Federer brilha em Perth – no torneio exibição Hopman Cup – e então faz uma campanha irrepreensível em Melbourne, conquista seu 20o Grand Slam e, acima de tudo, emociona o mundo inteiro com suas lágrimas, com sua simplicidade e seu sportsmanship. Que aula do mestre!

Pois esse texto é um pedido de desculpas público: Roger, eu errei. Eu JAMAIS deveria ter pensado que sua aposentadoria era a melhor decisão após Wimbledon 2017. Eu jamais deveria ter imaginado que EU saberia qual o melhor momento de VOCÊ parar. Eu, que tenho um backhand constrangedor e mal consigo colocar o segundo saque em quadra, tenho vergonha de ter pensado o que pensei, de ter duvidado de você. De ter desejado que você parasse de jogar o esporte que você ama e domina com tanta naturalidade...

Roger, jogue para sempre! Continue encantando a mim e a todos, e calando aqueles que em algum momento se acham capazes de saber melhor sobre você... do que você mesmo.

Vida longa ao Rei!

Fabio Flaksberg

Fundador do Smash Tennis.

Tenista amador e péssimo Nostradamus.